Trecho da música "Eu despedi o meu patrão"
Zeca Baleiro.
Ano novo. Vida nova. É tão bom festejar. Eu precisava achar um lugar pra passar a virada de ano. Resolvi ir pra Santiago de Compostela na Espanha. Sim, eu fiz uma promessa e fui pagar a promessa. Não vou contar a promessa, claro. Aproveitando que meu visto tinha sido liberado eu teria que ir até a cidade de Vigo na Espanha pra pegá-lo, sendo perto de Santiago eu aproveitei e uni o inútil ao agradável. Parti as 6h da manhã do dia 31 de dezembro pra cidade de Santiago de Compostela. Com trocas de comboios¹ e autocarros², pra tornar a viagem mais barata e também mais longa, claro. Cheguei em Santiago por volta das 12h30.
1- na língua portuguesa de Portugal a palavra Comboio = Trem;
2- na língua portuguesa de Portugal a palavra Autocarro = Ônibus.
Até a vela é moderna na igreja. Você coloca uma moeda e a vela acende. Pronto.
Estava no meio de muitas igrejas e construções antigas. Isso me animava. Eu um turista de primeira viagem. Fotografando tudo que via. É bom ver que os próprios moradores regam o verde da cidade.
Vi um grande mapa no chão do lado de uma mochila, o dono estava distraído fotografando. Eu pedi perdão a São Thiago e roubei o mapa pra dar uma olhadinha. Eis que era o mapa mundo. Devolvi o mapa e fiquei pensando porque alguém estaria com o mapa mundo em Santiago. Vai ver que está dando a volta ao mundo. Claro! Continuei a me orientar pelo instinto e pelas placas. Vi uma escrita "albergue dos peregrinos". Eba! É la mesmo que vou conseguir uma cama. Eu estava com cara de peregrino. Não, não estava, eu vi uns peregrinos chegando à frente da catedral, coitadinhos, tão abatidos, sujos e cansados. Não ia dar certo dizer que era peregrino. Poderia então dizer que eu iria começar a peregrinação amanhã, no dia primeiro. Mas não daria certo, pois a peregrinação não começa e sim termina em Santiago. Mas fui. Faria uma carinha de coitadinho sem dinheiro, abandonado no frio. Eles descolariam uma cama, claro. Também sou religioso e filho de Deus. Cheguei. O albergue dos peregrinos também estava fechado. Vi outra placa indicando albergue. Bom eu fiz a carteirinha de alberguista internacional pela internet, posso me hospedar em qualquer albergue do mundo. Fui em direção a este albergue. Fechado. Ah!
Não. 18h, esfriando. Perdido, estrangeiro, sozinho. A lágrima começava a se formar. Achei um lugar chamado “bar e habitaciones”. É aqui mesmo que vou ficar. Senhor tem uma cerveja e um quarto? Um senhor super bacana me disse que não alugaria pra esta noite porque eles não trabalham dia 01 então não teria quem cuidasse da minha saída já que eu ficaria só uma noite. Mas fiz aquela “carinha” de desabrigado e ele disse que me deixaria ficar no quarto, desde que quando eu saísse “amañana” eu batesse a porta com a chave dentro, assim não ficaria aberto o quarto e claro teria q pagar adiantado 17 euros. Fechado. Quase chorei com tanta gentileza. Entrei no quarto, antigo, limpo e cheiroso. Tomei um banho com uma espécie de chuveirinho de bidê e sai pra curtir a virada de ano e estourar minha coca-cola zero. Não achei mercado aberto pra comprar "champagne, Sidra".
Praça movimenta de portugueses. Sim. Cheio de portugueses em Santiago na virada de ano, não foi só eu que tive esta idéia. Mas foi lindo, contagem regressiva, fogos, coca zero, lágrimas, vivaaaa!!! Entrou uma banda no palco da praça do centro antigo, parecia um clone espanhol da banda "Calipso". Mas tudo bem, tudo é festa. Vivaaaaa!!! Chorei mais um pouquinho, e fui embora com as pernas doidas de tanto dançar “tecnobregaxiquespanish” algo do gênero.
Cheguei no quarto, liguei a tv e estava passando um programa tipo vidente pornográfico, não entendi muito bem, mas vc telefona pro programa e o vidente espanhol conta sobre sua vida sexual, e te da conselhos sexuais, posições influenciadas pelas estrelas. Moderno. Assisti por uns trinta minutos. Desisti. Fui dormir.
Agora vou contar a experiência mais sinistra da minha vida. Se você tem algum problema de coração não leia. Bom, eu avisei. Dormindo sinto que alguém abre a porta do quarto entra cuidadosamente. Gelei a espinha. E a calefação estava funcionando, o quarto estava quentinho, não podia estar com a espinha gelada. Fiquei completamente assustado. Já que eu era até então o único que estava dormindo na “habitaciones”. Mas quem estaria ali agora dentro do meu quarto caminhando em minha direção? Eu nem tremia pra não mostrar que estava com medo. Se tivesse coco pronto teria feito. Não tive coragem de abrir os olhos. Muito menos acender a luz. Fiquei estático. Paralisado. Suando frio. Então esta pessoa veio em direção à cabeceira da minha cama arrastando o chinelo vagarosamente, e acendeu uma vela, do meu lado esquerdo. Começou a dar a volta na cama pra acender a vela no lado direito. Eu então resolvi fingir uma tosse, assim a pessoa perceberia que eu pudesse acordar e então ela sairia antes que eu a visse. Foi o que fiz. Tossi duas vezes e a pessoa saiu antes de acender a segunda vela. Acordei com o barulho da minha falsa tossida e de imediato acendi a luz. Claro. Não havia nada, nem velas. Levantei verifiquei se a porta estava trancada e então voltei a dormir. Fiquei mais 1 hora assistindo a previsão sexual das pessoas até pegar no sono novamente. Foi bom, eu aprendi que se você fizer sexo de... bom deixa pra lá.
Acordei cedo e fui pra rodoviária. Sim, não esqueci de bater a porta com a chave dentro. Comprei o bilhete e na bilheteria o que eu encontro? Um mapa de Santiago.
Peguei o primeiro ônibus pra Vigo.
Devia não ter dito isso. O quarto cheirava defunto. Lá tinha outras pessoas que habitavam outros quartos permanentemente. O mais novo dos meus vizinhos de quarto deveria ter uns 80 anos. Foi sinistro. Mas neste dia eu estava tão cansado que se acenderam a segunda vela do lado direito da cama eu nem vi. Dormi feito pedra.
Peguei minhas coisas e fui fotografar o porto de Vigo. Muita chuva e minha rebelde sombrinha fez com que eu encurtasse minha viagem. Parti de volta pra Portugal, janeiro de 2008.
FELIZ ANO NOVO!!!
+ fotos de santiago e vigo
http://picasaweb.google.com/wellguitti/VigoEspanha?authkey=nbnAlsnkgeg
http://picasaweb.google.com/wellguitti/SantiagoDeCompostelaEspanha?authkey=vgrobp2f2E8


não estou com grande disposição
para outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
nao lavam o nosso mal
eu só quero ver-te rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torces o nariz
e lá se vai o sol
dizes vermelho respondo azul
se vou para norte vais pra sul
mas tenho de te convencer
que às vezes tambem posso
ter razão
tambem mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão
se eu telefono estas a falar
e pensas que é para resmungar
mas quando queres saber de mim
tranformas-te em querubim
quero ir para a cama tu queres sair
se quero beijos queres dormir
se te apetece conversar
eu estou numa de meditar
tu só queres ver-me rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torço o meu nariz
e lá se vai sol
dizes que sou chato e resingão
se digo sim tu dizes não
como é que te vou convencer
que às vezes tambem podes
ter razão
tambem mereces ter razão
vai por mim
és capaz de me mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão
atenção
os dois podemos ter razão
vai por mim
há momentos em que se faz luz
e depois regressamos os dois
à escuridão
Lágrimas nos olhos.
Estudar fora um tempo.
Entrei no avião em São Paulo, trazendo metade do meu coração, pela empresa KLM, com destino a Lisboa. Com troca de avião em Amsterdã. Prestes a embarcar no meu primeiro vôo internacional. Se o destino final é Portugal, pode-se pegar um vôo direto pela TAP. Pegar um avião com escala pode tornar sua viagem inesquecível e mais barata.
continua...Inicia a rotina da tripulação. Comidas, bebidas, travesseiros, cobertores, lencinhos molhados, fones de ouvido, vinhos. Senhores afivelar os cintos, permitido soltar os cintos, afivela o cinto, solta o cinto e nada de turbulência pra animar. Foram 12 horas tranqüilas. Tomando vinho. Assistindo “volver”, “os incríveis”, “lost”, “o diabo veste prada” e “lagoa azul”. Brincadeira, mas se tivesse “lagoa azul” pediria pipocas de microondas sabor manteiga. Ao final de cada filme tirava um cochilo e soltava um “peido”. Ah! É a pressão, causa gazes. Era discreto, só pra testar o sistema de ar. Descobri que o sistema de ar não funciona. Mas se fosse permitido fumar em aeronaves, o sistema de ar teria que ser perfeito, e então os odores agradáveis ou não de diversas origens poderiam seguir a rota da fumaça dos cigarros e não ficariam “perdidos”. Enfim, não fazia diferença, as pessoas dormiam.
continua...Percebi que praticamente metade do trajeto de São Paulo para Europa, fica-se sobrevoando o próprio Brasil até o nordeste. Que pena que não sai por cima das praias de Santos e fique o maior tempo de vôo sobre as águas inacabáveis do oceano Atlântico, eu gostaria que fosse assim. Afivelado o cinto. Pouso em solo europeu. Pego a bagagem de mão. Desço do avião. Respiro o primeiro ar europeu. Não respiro nada, estava com as narinas obstruídas, por causa dos ácaros que habitam toda a classe econômica ou seria por causa dos odores. Vi as horas no pré-pago da Tim. Não funciona no estrangeiro, se não tem mínimo de cem reais em crédito não é possível nem saber as horas. Irritei-me, quando voltar ao Brasil reclamarei, claro. Procuro relógios na estranha sala de desembarque. 11h45 marcava o relógio holandês. Meu vôo de Amsterdã para Lisboa sai 12h20. Olho o numero da gape de embarque no bilhete que tenho nas mãos junto com o passaporte. Leio: gape 72. Estava na gape 22. Corre, corre, corre. Neste momento entendi porque existem as esteiras rolantes em aeroportos grandes. Corria por uma esteira rolante. Sentia-me inspirado pelo filme “os incríveis” e imaginava ser o “flecha”. Passava rápido pelas pessoas que caminhavam normalmente fora da esteira. Olhei pra trás. Não era o único com poderes do “flecha”. Vinham ligeiramente dois senhores, com sobretudos e maletas portando seus notebook (deviam ser Mac). Corriam desesperados pela esteira. Neste momento não estava mais preocupado em ser rápido pra não perder o vôo, mas preocupado em não ser atropelado pelos “Macs banda larga”. Corria.
continua...Cheguei à entrada do gape 70 à 80. Ufa! Opa! Uma fila. O que será essa fila? Ah! É só a imigração. Tremi. Não tinha visto. Estava indo pra Europa estudar, claro. O visto de estudos demoraria mais alguns dias ou um mês. Não poderia mais perder nenhum dia de aula. Precisaria fazer a matricula. Havia um prazo, que estava quase expirando. Não perderia esta oportunidade, o visto resolveria depois, afinal qualquer cidadão brasileiro pode ter direito a três meses de visto de turista na união européia, ou não pode? Bom é o que dizem. Respirei e pensei. Pensei e respirei. Acho que não respirei. Pensei: “rapaz, não tem o que temer está com a carta convocatória da universidade, com o protocolo provando que deu entrada no visto de estudante, sem vícios, sem manias, tem sangue italiano nas veias, gente da gente. Hão de deixá-lo entrar. Chegou minha vez na fila. “Passport!” Pede a holandesa com delicadeza européia. Entreguei-lhe o “passport”. Ela perguntou alguma coisa a mim. Eu respondi sorrindo: “yééés!” (com subtexto: não falo inglês) yés! I am sorry! “Oukei”! Ela com sutil indelicadeza chacoalhava o passaporte novinho e dizia coisas. Então me lembrei do livrinho que havia comprado no aeroporto de Guarulhos “inglês para viagem” seria minha salvação. Fiz então a primeira consulta ao livro. Folheei rapidamente, não tinha muito tempo. Não localizei o que havia escutado. Não achei nenhuma frase que caberia naquele singular momento de desespero. Mostrei sorridente o livrinho pra holandesa afim de que ela pudesse apontar o que havia dito. Ingenuidade. Ela recusou hostil, claro. Hostil era o clima que já estava criado na fila que se alongava atrás de mim, composta por pessoas que provavelmente correram na divertida esteira e que agora estava eu a colaborar muito com o vôo que esses estrangeiros poderiam perder. Então a holandesa. Cansada de um dia duro, com os dedos secos de tanto folhear passaporte, chamou alguém atrás de mim. Pensei: “hum, acho que chamou um tradutor”. Ingenuidade. Ao me virar. Avisto não muito longe dois brancos seguranças gigantes (gigantes = gigantes mesmo, brancos = muito brancos mesmo, do tipo transparente), ambos com cara de poucos amigos e fardados. Não era uma fantasia sexual. Eram da imigração. Fechei os olhos e corri em direção ao gape 22, com sorte pegaria o mesmo vôo de volta e garantiria não ser preso. Quando abri os olhos percebi que minhas pernas não obedeceram. Não havia saído do lugar. Estava estático. O maior dos seguranças disse: “gol!”. “Gol? Notaram que sou brasileiro”. O menor deles fez um sinal com a mão. Era pra segui-lo. Segui o menor e o maior vinha atrás vigiando. Muito sérios! Sim, acreditei que seria torturado, como nos filmes alemães.
continua...Me levaram pra uma sala pequena e semi-escura. Repito, não era uma fantasia sexual. Era a imigração, de farda e coturno. Sentei na única cadeira da sala. Perguntaram-me algo. Sabia que era uma pergunta porque quando alguém te faz uma pergunta mesmo que seja em qualquer língua você sabe que foi uma pergunta, porque a expressão que se faz ao esperar uma resposta, é universal. Com meu livrinho de inglês nas mãos (não admitia ter pagado 12 reais por algo que não fosse ajudar em caso de urgência, comprou pra isso, esse livro foi feito pra isso, ou não foi?). Em mais uma tentativa mostrei o livrinho para o fardado menor, afim de tentar um diálogo, este virou as costas e saiu da sala. Pensei em fugir. Era minha única chance. Olhei de um lado, nada, do outro, o fardado maior. Estático. Respirei. Se não fosse tão grande. Desisti. Se voltar no próximo vôo, sim, eu direi a todos que conheci toda a Europa, é justo. Minutos. Voltou o menor. Não estava mais ele com o passaporte nas mãos. Deve ter deixado o passaporte no chekin pra adiantar a volta. Merda. Entra uma bela mulher, olha nos meus olhos e preenche os meus ouvidos com um: “Bom dia, senhor!” Foi o bom dia mais bem ouvido em toda minha vida. Não era uma fantasia sexual, ainda era a imigração, de saia e salto alto. Alguém ali falava a minha língua, iriam agora entender, ou pelo menos ouvir a minha estória, que estava planejando ainda. Ufa! Aliviei. Ela me chamou pra sala dela, um pouco maior e mais aconchegante. Começou nova tortura psicológica. Agora na minha língua materna. Neste momento eles podem tirar tudo de você, até os seus segredos mais íntimos, foi o que fizeram. Varias perguntas, não vou dizer tenho vergonha. Eu mostrei todos os documentos, dinheiro, cartões de crédito e carteirinha de vacinação. Ela se levantou, foi ao telefone. Dois minutos. Voltou. Sorriu. Saiu da sala. O menor entrou na sala. Dessa vez com meu passaporte, que já não era mais novinho, nas mãos. Abriu uma gaveta ao seu lado, tirou um carimbo “mequetrefe” e “clack” carimbou. A lagrima estava a caminho. Imaginei um circulo vermelho no meu passaporte escrito: “EXILADO”. Não! Exilado não poderia ser, só poderia ser exilado da terra natal, mas um “NO” estrangeiro no seu passaporte nacional, ah! Não! eu não suportaria, seria sofrer demais. O fardado menor entrega-me o passaporte e diz “gol”. Abri o passaporte e lá estava o carimbo quadrado, sem graça, escrito: Amsterdã. “Oukei!”. Estava liberado. Aproveitando que a lágrima já estava formada, deixei rolar. Sorri. Enxuguei a lagrima. O maior parecia começar a se emocionar também. Mas não fiquei pra ver. Corri em direção ao gape 72.
continua...Não me restava nenhum minuto pra pegar o vôo. Corri. Não tinha mais esteiras. Achei o embarque. Ofegando. Já estavam todos embarcados, preste a fechar as portas. Gritei: “Help me!”. Muita gente de outros embarques olharam, reconheci alguns da fila, provavelmente perderam o vôo, meus mais novos inimigos. Sim um vexame! O que eu poderia gritar? Não iria sentar, folhear o livrinho de inglês para viagens, e procurar como se diz “me esperem” ou “falta eu” ou “não se vá”. “Help me” é pra caso de urgência. Usei em um momento crítico, de estrema urgência. Se o avião saísse sem mim, sofreria muito pra conseguir marcar outro vôo. Por que o mundo fala inglês e os brasileiro não aprendem eficientemente nas escolas? O lula fala inglês? Bom após o “help” uma bela moça branca, transparente, magra e de uniforme azul cor do céu, atendeu. Disse algumas coisas, em inglês. Eu fiz uma cara universal de “não entendi”. Ela falou holandês, em alemão, francês e antes que ela mostrasse todas as línguas que aprendeu na escola de aviação eu disse: “português por favor!” A leite moça disse: I am sorry! “Oukei”, essa escola de aviação não é eficiente, pensei! Por que o mundo fala inglês e os brasileiro não aprendem eficientemente nas escolas? Entregue-lhe o bilhete e ela cadastrou no computador e disse algo do tipo: XXXXX bag XXXXX night XXXX? Respondi: “Oukei!” Não entendia nada, mas sabia que era uma pergunta, sim, fez o rosto que é universal. Entrei no vôo, as pessoas curiosas esticavam as cabeças pra ver quem era que tinha gritado “help me” com sotaque “original”. Fiquei ruborizado, claro. E fui direto ao meu assento de cabeça baixa. Ufa! Sentei. Estava indo direto pra Portugal a emoção tomou conta finalmente.
continua...Do lado estava uma senhora simpática. Falava inglês, claro. Por que o mundo fala inglês e os brasileiro não aprendem eficientemente nas escolas? Pensei. Ela falou por muito tempo comigo. Eu sempre calado, só chacoalhava a cabeça em sinal positivo, identifiquei algumas palavras que aprendi na adolescência, fonte: “na cama com Madonna”. Até pensei em usar o livrinho de inglês para viagens. Desisti. Sorria e concordava. Foi então que um latido ouvi. No susto perguntei: foi à senhora que latiu? Ela disse: ah, você é brasileiro! Eu sou portuguesa, conheço o Rio de Janeiro, lindo o seu país! Pois! Eu disse: Legal. Mas e o latido, veio de onde? E lá estava ele pequeno encoberto embaixo das pernas da senhora portuguesa. Um cãozinho. Oh! Pensei em testar o sistema de ar e culpar o cão. Desisti. Sorrimos e seguimos a conversar, agora em português. Mesmo em Português não era assim fácil de entender tudo o que a senhora dizia, algumas palavras não conseguia identificar. Por que os brasileiro não aprendem eficientemente português nas escolas? Pensei e desisti de saber. Ela me ajudava com os pedidos de serviço de bordo, almocei no avião, a comida é péssima. Ela animada falava das maravilhas do Rio e eu da “tropa de elite” foi um papo muito intenso e interessante. Esse papo vou pular. Descobri que de cada 10 famílias portuguesas hoje duas são pobres. Já no Brasil não pude dizer o índice exato a portuguesa, mas acho ser quase igual a Portugal no Índice de pobreza, não confirmou o IBGE desta semana, pensei em ligar pro Lula. Desisti. Ela parecia muita aflita com a pobreza que ronda o seu país. Então voamos até Lisboa. Linda, Lisboa!
continua...Voltei no dia seguinte de manha ao aeroporto. Informação segui, achados e perdidos, segui, guichê e finalmente alguém me encaminhou a sala das malas extraviadas. Quando abriram a porta do galpão, vi perplexo. Todas as malas perdidas do mundo. Centenas, não, não, milhares talvez. As malas do mundo estão lá, de todos os tipos e formatos. Informação utilidade pública: Se você perdeu sua mala em algum vôo, mesmo que seja um vôo doméstico dentro do Brasil, ou em qualquer outro lugar, ligue no aeroporto de Lisboa, é possível que sua mala esteja lá. A minha estava, mas estava estranha, irreconhecível. Sim, toda enrolada em fitas adesivas amarelas. Estourada. Respirei. A moça da loja “Le Postiche” tinha me garantido, que era uma peça resistente apesar de estar em promoção relâmpago pela metade do preço somente naquele dia. Acreditei. Eu acredito nas pessoas. E agora como vou reclamar pra loja do “shopping Mueller”. Tiraria fotos e enviaria por e-mail. Pensei. Desisti. Quando voltar ao Brasil reclamarei, mas é claro. Fui então reclamar na Klm do aeroporto. Eles me fizeram preencher um gigante formulário e pediram pra passar lá alguns dias depois. Mas se fosse confirmado pela perícia que a mala era “imprópria” não seria indenizado. Disposto e bem humorado fui embora sorrindo dizendo: “Fuck my bag!”
“Pois! Pronto.”
fim